segunda-feira, 22 de agosto de 2016

DIÁRIO DE UM SUBURBANO: 24º Encontro Estadual de Estudantes  de Geografia do Ceara - EEEGE.

Na ultima semana aconteceu o 24º Encontro Estadual de Estudantes de Geografia na cidade do Crato (Cratinho de açúcar). Bem o que falar desse do EEEGE? Eu sinceramente não tenho nada pra falar, acho que estou curtindo a "vibe" das lembranças, das dilatações de pupilas que eu tive nas mesas, nas culturais, nas “não culturais” em tudo, cada momento desse EEEGE foi sem explicações.

Ao chegar na Urca me deparo com o “caos” uma assembléia pra decidir de vai ter greve, eu meio atordoado da viagem sem saber pra onde ir. A plenária acaba, não vai ter greve, mas uma coisa me deixa inquieto alunos ofendendo professores do mais diversos insultos, “vagabundo” foi so um exemplo isso me faz lembrar da UECE onde não só alunos insultando professores, mas professor falando mal de professor. Falando mal de aluno só porque apoiava os professores que aderiram  a greve. Eu sou vagabundo porque tem alunos que chamam de um sem futuro, porque é  o estudante que participa movimento social ( Levante Popular da Juventude), é o estudante que vai na reitoria brigar por um ônibus pra ir pro EEEGE, e ainda sou o negro pobre de periferia,   estou estudado numa Universidade Publica pra ser Vagabundo, porque eu vou ser professor que tem que dar aula nos três turnos. Enfim.

Mesa de Abertura - EEEGE 2016
fonte: https://www.facebook.com/eeege2016
A Construção de uma Geografia combativa começa dentro de cada uma dos 300 inscritos no evento, que vieram para contribuir e construir, eu, este simples ser aproveitei ao Maximo e acho que dei minhas contribuições na medida do possível, do meu jeito da minha forma, indo pro lado e pro outro chamando pelo nome doce do evento: “Cadê Igor?”. E o que falar de Igor? Esse poeta do Cariri, que sempre me ajudou antes do evento, nas listas dos participantes da UECE, quem já pagou, quem não pagou, tivemos momentos de desabafo um pro outro, e sempre falávamos: “cara vai dar certo” e deu! Tudo  atingiu as expectativas, as mesas sem comparação, os GDS, os GTS, os 2 campos e claro  a forma que fomos recebidos pela Comissão Organizadora de uma simplicidade massa. As ouras delegações UFC, FAFIDAN, UERN, também so elogios!

Saio do evento com uma ideia  que, estou vendo articulações sendo feitas entre as escolas de Geografia do Ceará (UECE-UFC-URCA-UEVA) por que luta de um, é luta de todos.
Que venha o 25º Encontro Estadual de Estudantes de Geografia do Ceará, na UECE campus Limoeiro – Fafidan!
No fim, nao tem fim, é apenas o começo!

EEEGE GO!

“Comissão
A UECE se apaixonou
Pelo que URCA Organizou
E pelo close que na acabou!

Eu vou fazer uma promessa
Pra FAFIDAN arrazar
E em limoiro vamos nos encontrar

Eu to na militância
Pra fazer acontecer
Esse eeege que já vai nascer
Todo estado vai comparecer

É tão ruim quando o c.a é fuleragem,
Mas ai vem o coletivo e arrasa na organização

Mais voltando para o agradecimento
O coração fica doendo
Pensando logo em retornar

Mas o EEEGE (EEEGE)
Integra o conhecimento
Eu sei (eu sei)
Que daqui vou sair bem, diferente”



Delegação UECE - 2016
fonte: https://www.facebook.com/eeege2016/

                                                         



quarta-feira, 15 de junho de 2016

Memórias


As vezes vem umas lembranças do meu ensino fundamental 2002, piadas, risos e apelidos que eu recebia na nessa época, ainda estão na minha mente, mas né o que se espera de uma sala de aula embranquecida com menos de sua metade ser feita de negros.

O que me entristecia era os manos fazendo a mesma prática. Uma tarde a professora de português chamou dois alunos pra irem na biblioteca pegar uns livros pra aula, já que naquela época não se tinha livros pra todo as turmas de 5º serie, trouxe cerca de 10 livros perto da sala, meu amigo também trouxe mais 10. No fim da aula a professora pede pra nós irmos deixar os livros novamente. O sinal do recreio toca, os meus livros caem no chão, ouço risos e cochichos, lembro como se fosse hoje das frases: “tão magro que nem pode com os livros”, “negro é osso”. Na fila da merenda mais frases: "deixa ele passar o neguinho ai precisa ficar forte” e mais risos, eu até tentava levar na esportiva, mas a quem eu quero enganar. O recreio naquele dia foi um tormento, 20 minutos que pareciam 20 anos. No dia seguinte pensava que tudo ia ficar de boas, mas não! Vinha mais e com apelidos (desculpem, mas não vou dizer).

sábado, 23 de abril de 2016

Feliz aniversário

“Aos olhos da sociedade mais um bandido”

09 abril de 2016 periferia de Fortaleza, tinha tudo pra ser um final de semana normal, afinal de contas era véspera do dia 10. Pela manhã vou a uma reunião de planejamento do grupo de estudos que participo, o GEMA, na escola Adauto Bezerra, que fica no bairro de Fátima, pra planejar um ciclo de estudos sobre a cidade de Fortaleza. No caminho até a parada passa por mim motos do Raio, eu meu subconsciente penso logo “vão me parar”, mas não ocorre acho que pelo fato de eu estar com uma blusa que fazia referência a UECE me fazia menos suspeito.

Pela tarde fui convidado por uma amiga minha, Daniela, a participar de uma roda de conversa sobre feminismo Negro na escola realizada pelo Movimento Hip Hop – Nós por nós na 2 de Maio,  lá conversamos sobre várias questões um espaço muito rico de informações: o processo histórico do movimento feminista, a relação com a mulher negra nesse processo até a chegada dos dias de hoje. Espaços esses são extremamente necessários nas escolas publicas das periferias de Fortaleza, para o empoderamento, conhecimento, de tudo ao seu redor.

Pois bem, depois de um dia riquíssimo de informação super de boas, venho eu com mais 3 meninas caminhando tranquilamente pelo Jardim União quando me despeço delas e entro na rua Silvanira de Jesus...
Eu vejo o raio
O Raio me vê
- Deita, deita, deita, Vagabundo...

domingo, 3 de abril de 2016

Aventuras de um suburbano: show do Iron Maiden

Imagem de Diego
24 de março de 2016 quem poderia imaginar, eu num show da melhor banda de heavy metal de todos os tempos, na cidade onde nasci, cresci.

A espera de longos 3 meses desde o dia que eu comprei o ingresso, foi uma coisa de louco, por que mesmo com o ingresso em mãos ainda na tinha caído a ficha de que eles vinham pra cá, uma espera quase que sem fim. Claro que com a compra do ingresso algumas coisas deixei de fazer, (foram todas as minhas economias). “Diego vamos sair? Cinema”. Não tenho grana! “Diego vamos na praia?” Não tenho grana! Enfim, conheci o outro lado da cidade os programas que da pra fazer sem, grana, enfim o show do Maiden me faz aproveitar a cidade de uma forma mais proveitosa, bem de boas. E o carnaval? Carnaval ora pra quê? Se o meu carnaval está um mês de distância, era só esperar.

quinta-feira, 24 de março de 2016

Desmilitarização da mentes

“A policia serve para manter o bem estar e a paz na cidade”

Fonte
Me pergunto se essa frase está certa, para garantir a paz e o bem estar precisamos de fardados armados circulando entre nós, para decidir o que é certo ou errado. Afinal o que certo ou errado, eles? Se eu estou parado na esquina, estou errado, se ando, estou errado, se estou sem fazer nada, tá errado e se eu pensar em responder é desacato.

A paz está onde a policia está? Aqui “nasareas” quando chega a tensão corre fundo de todos, sempre com suas armas em punho avisando pra se afastar e “ai” de quem entrar no perímetro. Estava tudo na paz tudo no bem estar, até eles causarem a tensão de sua simples presença.

Não lembro de quem me falou essa frase “a periferia é resultado do que a policia faz com ela”. Nada é por acaso, tudo é resultado um triste resultado, os fardados que estão na periferia não são os mesmos que estão nas áreas ditas nobres da cidade, alias, por que você tem esse titulo de nobreza? Eu também sou nobre. Posso ser até mais nobre que você, enfim. A verdade é que a policia não é preparada para sociedade que temos.

Fecho meu texto com um caso:

segunda-feira, 21 de março de 2016

5571: o número da impotência

                O que pode acontecer com o número 5571? Endereço, pedaço de um telefone, algum bilhete de loteria. É algo tão aleatório que poderá remeter a qualquer pessoa, qualquer lembrança. Em mim? A impotência. 5571 é o número da impotência.
                O que pode fazer um ciclista depois de pedalar seus 5km e 571m? Nada além de relaxar na noite do centro de Fortaleza, ou pelo menos deveria tentar. Contudo, o 5571 estava um pouco próximo e eu mal sabia de sua presença.
                Depois de pouco mais de um minuto e meio, que, em segundos, é pouco mais de 92 e em seus milissegundos equivale 5571, o 5571 chegaria próximo a mim. Noto que algo está se aproximando de minha bicicleta, mas não tenho tempo de definir com clareza o que é, só percebo que essa aproximação está inferior a distância de 1,5m, então estico o braço para mostrar a distância que preciso para ter uma segurança.
                Contudo, era o 5571 que ao ver meu braço levantado avança com toda velocidade, o que me obriga a retirar a mão com maior velocidade. Consigo manter o equilíbrio na bicicleta, então reclamo pela ação do 5571 e quando faço isso o 5571 logo grita “coloca a mão de novo para você ver”, “na próxima vez continua na minha frente”... que reação tomar ao ser ameaçado dessa forma e de outras? Não demora muito e ele está atrás de mim, mas o que fazer? Denunciar o que? Para quem? Sinto só aquela impotência do trânsito enquanto vai ficando para trás aquele 5571 estampado na pintura da viatura!