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quinta-feira, 17 de maio de 2018

Vamos falar de Uber?

Fonte: Tribuna do Ceará

A Câmara dos Vereadores de Fortaleza aprovou ontem (15/05) a lei que regulamento a utilização de aplicativos de transporte como, por exemplo, o Uber e nas postagens dos principais jornais da cidade o que mais eu lia eram pessoas revoltadas com a aprovação, no meio de tudo isso percebi o “mar” de desinformação e conhecimento sobre o assunto, por isso resolvi escrever.



Talvez parte da revolta das pessoas seja porque o Uber, em nota, disse que 10 mil motoristas não conseguiriam atender as regras, que o valor do serviço poderia subir até 80% e por aí vai. Para começar, bora baixar essa bola, Uber, pode guardar o sensacionalismo no bolso e lembrar que quando esse tipo de regulamentação foi incluída na Política Nacional de Mobilidade Urbana, em 1 de março de 2018, a empresa comemorou a aprovação e lá estava incluído que os municípios iriam definir as taxas que seriam cobradas, agora sim podemos falar de verdade do assunto.

Fonte: O Povo
E já que estamos falando de transporte, então estamos falando de Mobilidade Urbana e não é tão difícil notar que um dos maiores problemas do assunto é a utilização de carros. Só para termos uma noção, em 2014 atingimos a marca de 1 automóvel para cada 4,4 habitantes no Brasil e a média de ocupantes de um carro em São Paulo no ano de 2011 era de 1,4 pessoas. Se você da sua janela de ônibus, em pé apertado ou passando de bicicleta olhar para dentro dos carros notará que a quantidade de ocupantes dificilmente chega em 3 pessoas. Facilmente você nota uma ou duas pessoas, chega até a ser um pouco injusto para você que está apertado dentro do busão.

Percebem que nesses dados ainda não existem informações isoladas de transportes por meio de aplicativos? Porque é algo novo e após ler o livro “Mobilidade Urbana e cidadania” de Eduardo Alcântara de Vasconcellos fiquei me perguntando quais seriam os impactos no trânsito com esses aplicativos. Enviei um email para o autor e ele me chamou atenção para dois fatos interessantes: esses aplicativos são carros, com eles estão associados todos os impactos de um carro, e a tarifa desses serviços são “mais acessíveis”. Nosso principal problema são os carros, estamos incentivando mais carros, estamos pensando em políticas públicas para carros e estamos deixando de lado quem realmente pode resolver o problema da mobilidade, transporte público.

Com relação a tarifa destes aplicativos, elas são realmente menores em relação ao sistema de taxi e mais pessoas possuem acesso. Aí que mora o perigo, é realmente interessante que as pessoas tenham acesso a utilizar todo tipo de transporte, porém quando incentivamos esse tipo de sistema e permitimos que ele funcione de forma mais solta, haverá um grupo de pessoas que trocará seus deslocamentos de transporte coletivo pelo carro que te deixa na porta de casa, dessa forma o transporte coletivo perde na competição com esses aplicativos. O coletivo perde para o individual e a estrutura da cidade não aguenta tanto veículo individual circulando.

Não estou desconsiderando que em algumas cidades esses aplicativos já existem em modalidade compartilhada, que é uma alternativa interessante visando preencher ao máximo o veículo. Contudo o nosso principal foco deveria ser em avançar nossas políticas públicas pensando no coletivo, desde transporte coletivo e a bicicleta, integração entre sistemas. Falar de tudo isso é importante antes de focar na regulamentação.

Como estamos falando de uma cidade, por isso a noção de coletivo, precisamos lembrar que as vias são de uso comum e esses aplicativos utilizam as vias para lucrar e causam impactos nessas vias. Sei que já existem impostos com relação ao uso particular de um veículo pensando nos impactos das vias, contudo, só para terem uma ideia, o motorista do Uber que mais fez viagens em Fortaleza tem uma média de 20 viagens diárias, seria o equivalente a duas voltas e meia na Terra... não estou brincando, esses são dados disponibilizados pela empresa em comemoração de dois anos aqui em Fortaleza. A pessoa que mais utilizou o aplicativo já percorreu 9121km.... esses são só os maiores números, tem muita coisa ainda aí. Pense um pouco nos impactos disso tudo. A regulamentação só está cobrando 2% por viagem.

Válido lembrar que em março foi aprovado uma lei que inclui o transporte por aplicativo na Política Nacional de Mobilidade Urbana (PNMU) e que lá diz que os municípios vão fazer cobranças. A lei 204/2018 de Fortaleza coloca os pontos que já estão na PNMU e tem como taxa por viagem esses 2%, mas coloca que pode ser reduzido caso a empresa do aplicativo realize algumas ações que compensem os impactos dos seus serviços, ações em Mobilidade Urbana (isso os jornais não te mostraram, né? Isso algumas pessoas não te falaram, né?).

Outra exigência interessante é que a empresa compartilhe algumas informações com os órgãos públicos. Essas informações são sobre origens e destinos, tempo, distâncias, horários entre outras. São informações essenciais para planejarmos políticas públicas, porque além de ônibus, topic, metrô, taxi, teremos esses aplicativos com um impacto considerável nas vias da cidade. Então precisamos compreender esses dados para melhorar a cidade. Entretanto, tem um dos pontos da lei que não concordo, que diz que os veículos precisarão ter no máximo cinco anos. Aí sim vou concordar com a nota emitida pelo Uber quando diz que isso elitiza o sistema. Por outro lado, os carros terão identificação por adesiva e acredito que não preciso falar a importância disso depois das mortes de motoristas de aplicativos que tivemos esse ano.

A regulamentação desse tipo de transporte não é algo nova, seis países regulamentaram em 2016; em 2017 a União Europeia começou a discussão sobre a regulamentação. Por isso queria dizer que a lei não é de toda ruim e não vai impactar tanto negativamente quanto estão dizendo, válido lembrar que esses sistemas já estão impactando nossa cidade. Não podemos deixar de lado o olhar mais técnico, porque são argumentos construídos com ciência, seriedade. De leis na base do achismo e do que político A ou B acredita nós já estamos cheios e não estão funcionando, por mais que eu acredite que vereadores, de um modo geral, não tiveram esse olhar técnico.
Lucas Gonçalves Monte


FONTES:

“Câmara de Fortaleza aprova projeto de lei que cria regras para aplicativos de transporte” – Tribuna do Ceará:

"Uber estima que preço das viagens deve subir 80% em Fortaleza se Projeto de Lei for aprovado" - Tribuna do Ceará:

"Uber, 99 e Cabify comemoram regulamentação do transporte por aplicativo aprovada pela Câmara" - G1:

Alteração da Política Nacional de Mobilidade Urbana:

Regulamentação dos aplicativos pelo mundo:


Dois anos de Uber em Fortaleza:

segunda-feira, 19 de março de 2018

Diário de um suburbano - Fortaleza 16 de março de 2018


Essa semana bateu uma bad, uma bad quase do tamanho dos meus 25 de vida. Ora, o assassinato covarde de Marielle, vereadora, mulher negra de luta, não foi um por acaso.

2018 começa com várias notícias violentas, mortes, agressões e tudo que você puder imaginar. Hoje eu vejo bem as coisas que eu posto nas redes sociais, até mesmo a blusa que eu ando, porque se for uma blusa vermelha isso pode acarretar uma agressão no meio da rua por achar que sou socialista (e sou mesmo) ou essa da mesma cor pode significar um símbolo de uma facção criminosa.

Esses dias eu estava pensando, o que eu to fazendo? E na boa, eu não sei o que to fazendo. As lutas, os movimentos, as reivindicações, eu não sei pra onde vai dar, porque além de você se preocupar com isso tudo, você tem que ficar ligado nas balas perdidas que não são perdidas, porque essas sempre tem um alvo, basta olhar para você mesmo, pode ser eu, ou você.

Nesse sentido de sentimento de impotência você ou eu, ficamos receosos até para tomar uma cerveja na praça, ir na praia e tomar um bronze, ir no forró e dançar, ficamos receosos até para dar para se posicionar politicamente.

Com um cenário de golpe desde 2016, não sabemos do futuro, a Educação que tem que “transformar, emocionar e revolucionar “ (H.G.L) não sei se estamos fazendo essas três coisas com essa reforma do ensino médio e retiradas de disciplinas que fazem professor (a) e estudante refletir, perceber e intervir na realidade em que cada um está inserido.


Além de todas essas bads, e extremas bads ainda temos que nos preocupar com a nossa própria situação de vida. Temos que estudar (alguns (as)) trabalhar (todos (as)) e aguentar as pressões que sempre acontecem seja da família, dos amigos (as), da vida, e até de você mesmo.

É triste você ver “pessoas” comemorando a morte de Marielle, ver comentários machistas e racistas nas redes anti-sociais. “Bem feito”, “comunista tem que morrer mesmo”, “ uma neguinha a menos “.

Eu no ônibus vejo 3 caras e 1 mulher, todos subiram em pontos diferentes, a mulher sem grana pulou a passagem, os outros 3 homens pularam também. Quase todos vendendo seus bombons e salgadinhos trabalhadores, esse que sobrou não tinha nada e sentou no meu lado e falou mais ou menos assim:

“Jovem eu não sou ladrão, sei que todos que estão aqui tem medo de mim. Ora! Nego ta sujo descalço, querendo só ir pra casa, meus pais tão lá em cima, mal posso esperar pra ver eles.”

Fiquei sem palavras sem reação. Parece que o tempo parou e me veio a mente tudo que já aconteceu comigo, coisas boas, ruins, sorrisos e choros. Depois de uns segundos falei:

“Cara a gente pode ter nossas realidades distintas, e tudo. Mas uma coisa tem que nos unir. Ta vendo essas outra pessoa que também pularam a catraca e nós dois temos em comum? Nós quatro pulamos a catraca e somos negros.”

E lhe dei um abraço.

Acho que esse foi um dos abraços mais sinceros que eu já recebi nessa vida. Eu para retribuir o abraço dei minha merenda simples: um pão para ambos ficarem de boas. Ele pegou e falou.

“Não cara, fique alguém tem que sobreviver e lutar pela gente”

E ele desceu.

Não sei se vou ver esse mano novamente, não sei como ele vai dormir, nem sei se ele está Vivo nesse momento. Mas foi impressionante como eu precisava dessa conversa. Por um momento um breve momento me sentir vivo.

Em épocas de crise, e fim de trajetórias e mudanças de planos algo sempre vem pra mostrar que você tá e tem que lutar por aquilo que você acredita.


Hasta lá victoria siempre!

Diego Costa Lima



Foto: Bruna Freitas 




quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

(In)feliz 2018


O ano mal começou e já estou vendo coisas não muito interessantes, temos aí pouco mais de 2 meses de ano e, de fato o ano só começou depois do carnaval. As precarizações na educação de uma forma geral continuam, a passagem do ônibus aumentou, os prazos para os envios de trabalhos já estão acabando, as bolsas de permanência universitária na UECE diminuíram (eram 900, passou para 1.200 e a agora só tem 500 bolsas), minha bolsa continua atrasada como sempre, violência na cidade para quem quer e para quem não quer, e até intervenção militar teve e estamos em 2018 não em 1964.
Como disse no começo do texto o ano tá muito “bugado”, aliás desde o presidente vampiresco invadiu o poder por meio de um golpe as coisa estão desse modo, (des)reformas indo para votações em Brasília, reforma da previdência, do ensino médio, ajustes fiscais, aumento de salários para os parlamentares e tudo o que há de bom para o Estado (que Estado?), para a família (que família?) e para a economia (que economia?).
Ontem foi um dia em que fui ao posto de saúde tentar marcar uma consulta para março (sim para o próximo mês). Tive que madrugar e sair de casa quase as 5:30 da manhã (sendo que o atendimento ao posto só inicia-se as 7:00 da manhã) e andar pelas ruas calmas da minha quebrada do Jardim União. Chagando ao posto de saúde já tinha pessoas na fila, idosos, crianças, e pessoas no geral. Quando a jovem que entrega a senha chega ela avisa logo:
-“AS MARCAÇÕES DE CONSULTA PARA O PRÓXIMO MÊS AINDA NÃO ESTÃO ACONTECENDO”
Depois dessa informação as pessoas começaram a ir para as suas casas, mas eu e outras três senhoras fomos indagar essa informação, chegando na jovem ela pega e fala:
“Só estamos atendendo casos graves pois só temos um médico.”
Fico me perguntando que caso sérios seriam esses, a pessoa tem chegar lá quase morrendo, né?
Outra coisa que me chamou muito a atenção nesse início de ano bugado, foi a intervenção militar no Rio de Janeiro. Gente estamos em 2018 e ouvi de pessoas que essa foi a melhor saída. Se atentarmos um pouco para a história do Brasil ou da América Latina, percebe-se que intervenções militares fazem é derramar mais sangue, “masss” não qualquer sangue, esse tem classe social e cor, esses plasmas, hemácias, leucócitos e plaquetas, são de pessoas negras, e LGBTs que por coincidência sua maioria moram nas periferias. Aí você pode fazer a pergunta? “ Mas o crime organizando não está dentro das periferias? Certo, mas as organizações criminosas não estão apenas na perifa, essas organizações estão nas mais diversas classes sociais.
E o fato em que me deixou com mais raiva, aconteceu no numa cidade do interior do Estado do Ceará, Icó, onde uma prefeita, Laís Nunes, (que seu marido já foi prefeito da mesma cidade) decidiu juntamente com os vereadores diminuir pela metade o salários do professores assim como sua carga horária, com a justificativa de redução de gastos, e o professores e professoras foram na câmara municipal para protestar sobre o ocorrido, mas de uma forma arbitrária foram recebidos com spray de pimenta no rostos e armas apontadas para os mesmos. Esse fato lembra o que aconteceu aqui e Fortaleza na greve de 2011 dos professores onde esses foram agredidos pela guarda municipal. Aí eu deixo aqui o comentário de uma amiga minha: “a guarda municipal responde ao prefeito, então quem foi que mandou? Reflitam. 
Todo apoio aos professores e professoras do Icó! vai ter luta!
E para finalizar nem reuniões de estudo nas Escolas podemos fazer, porque até ali a polícia está nos vigiando e perguntando de qual partido nós somos.
Corte nos orçamentos, intervenção militar, agressão e perseguição aos professores, em que ano nós estamos 1964 ou 2018?
.

foto: fetamce.org.br

domingo, 12 de novembro de 2017

Um ensaio informal sobre hierarquia

Fonte da imagem
Não me sinto a vontade para dizer se hierarquias são boas ou ruins em determinados ambientes, porque não tenho leitura suficiente sobre o assunto, mas já tive a oportunidade de ler algumas pessoas falando sobre hierarquia e nos últimos anos conseguir ter uma vivência em algo que não existe uma hierarquia instituída, mas uma outra forma de organização, mais horizontal, que também funciona. Contudo, algo que tem me chamado a atenção é que mesmo na ausência institucional de hierarquia e em esforços para evitar o surgimento da hierarquia, a sensação da mesma pode existir e é sobre esse ponto que quero falar.


Acredito que assuntos que envolvem poderes sempre é algo interessante, porque está diretamente ligado com a forma como as pessoas vão interagir. Ora, se entre as pessoas que tenho um vínculo de amizade noto que temos igualdade de poderes, então me sinto mais a vontade para agir, contudo se por algum momento me sentir inferiorizado, talvez eu não consiga agir tão tranquilamente e pode ser que nem existam ações que me coloquem em um “patamar menor”, mas isso de alguma forma esteja comigo.

Notemos que boa parte das nossas relações, mais institucionais, existem pessoas em posições superiores e inferiores: na escola com diretoria, coordenação, corpo docente, corpo discente; na universidade com a reitoria, pró-reitorias, faculdades e centros, departamentos, coordenações de Cursos, docentes e discentes; religiões com suas lideranças sejam mundiais, nacionais, regionais ou locais; empresa com a chefia, divisões, gerências. Note ainda que boa parte de nós temos contato com isso desde cedo e crescemos no meio disso, ou seja, temos uma história de vida guiada em meio a hierarquias, logo não é de se espantar que em nossas estruturas esteja a hierarquia e com ela todo nosso histórico de vivências e sensações.

(Daqui para frente utilizarei conceitos apresentados na seção “Determinismo Estrutural e Linguagem” apresentados no livro “Cognição, Ciência e Vida Cotidiana” que possui textos do biólogo Humberto Maturana e foi publicado pela Editora UFMG)

Quando falo em estrutura estou querendo dizer que nós temos uma estrutura que nos forma, contudo isso não nos define, porque se nos definisse, a cada mudança estrutural deixaríamos de ser quem somos e ao acontecer isso nem nós mesmos seríamos capazes de nos reconhecer a cada mudança, mas isso não acontece, porque existe algo “maior” que permite que possamos nos identificar, ou seja, algo que não muda mesmo quando nossa estrutura muda. Sendo mudança estrutural desde o nosso visual até aprender alguma coisa.

Agora o que isso tem a ver com o assunto abordado inicialmente? Tem tudo a ver, porque se existe algo que precisa se conservar enquanto estou mudando, logo alguma coisa precisa definir o que pode ou não mudar minha estrutura para que assim se mantenha uma conservação que defina quem sou.  Algo que cada ser vivo carrega consigo e pode explicar o ponto que cada entidade está hoje é sua história de vida, ou seja, nossas estruturas mudam de acordo com o que já vivemos e buscando conservar quem somos. Em outras palavras, somos capazes de nos autoproduzir, autorregular e manter interações que nos modifiquem apenas se nossa estrutura permitir, isso é chamado pelos biólogos Humberto Maturana e Francisco Varela de autopoieses. Mas o que isso tem a ver de fato com o assunto?!!! Nossa história de vida está repleta de hierarquias.

Ora, se nossa própria história de vida está repleta de hierarquia e essa história nos ajuda a definir nossas mudanças estruturais de modo que uma determinada parte de nós mesmos seja conservada, então é de se esperar que aceitemos mais facilmente uma organização hierárquica, porque ela já está em nossa estrutura com nossa história de vida, contudo o que acontece se retirarmos de nossas interações essa organização? Tentaremos mantê-la enquanto nosso organismo não aceitar ou entender que essa mudança não nos será destrutiva.

Isso é tão forte que podemos até saber disso, ter consciência, mas não quer dizer que iremos conseguir internalizar tão facilmente, porque precisamos quebrar com toda uma história de vida que nos empurra para um lado. Comentei no início que tive a oportunidade de nos últimos anos ter uma vivência sem hierarquia instituída, mas lembro claramente que nos dois primeiros anos (ou até a metade do segundo ano) eu sentia uma hierarquia. Não por existir hierarquia, mas porque eu estava há pouco tempo tendo essa vivência em relação a toda uma vida experimentando o contrário daquilo, então quando meu organismo começou a entender interações e ideias que estavam do outro lado, como um todo, foi quando a hierarquia começou a se desfazer em mim.

Olha o curioso, não estava institucionalizado, mas a forma como eu estava interagindo estava criando essa organização. A interação que garantia isso poderia surgir das mais diversas formas, desde eu me sentir inferiorizado, até um conflito mal resolvido que acabou virando confronto, a não exposição direta e sincera de ideias, sentimentos e por aí vai. Algo que já notei também  nessa vivência é quando um grupo quer tomar ações, a todo custo, que interferem no agir de outro, então esse grupo, de alguma forma, tenta desestabilizar alguém que represente um segundo grupo e esteja mais próximo ao primeiro por acreditar que essa pessoa representa uma barreira e esteja acima, ou seja, aparece um assédio moral ascendente, mas isso só existe, porque o primeiro grupo vê o segundo como superior, enquanto talvez não haja essa superioridade.

 E foi quando essa modificação estrutural aconteceu que tudo mudou, porque foi possível que eu entendesse que nenhum grupo que estava interagindo com o meu era superior ou inferior, mas estávamos em níveis diferentes por termos responsabilidades diferentes. Isso se aplica até no grupo que estava compondo a coordenação, não era superior ao que eu estava, apenas com responsabilidades diferentes e sabe qual foi o resultado disso? As relações melhoraram, porque todos tinham “poderes” iguais, mas cada um no seu nível e respaldados por um acordo comum. Em outras palavras, o grupo que eu fazia parte possuía autonomia de ações dentro do próprio grupo, mas também a responsabilidade das consequências, por isso não possuíamos autonomia total, porque os outros grupos também possuem suas autonomias. As ações que interferiam nas ações de outros grupos precisavam de decisões tomadas pelos grupos envolvidos, mas sem ferir o acordo comum a todos.


Entretanto, quando ainda sim queremos tomar ações que estão para além do nosso grupo, acabamos por desconsiderar outros grupos e isso é, de certa forma, a negação do outro. Ao fazermos isso não estamos utilizando de autonomia, mas sim de soberania, logo criamos uma hierarquia por meio de ações momentâneas, mesmo que ela não esteja institucionalizada. Entendamos que autonomia não é fazermos tudo que queremos, mas aquilo que nos é possível diante de certas condições e isso, não necessariamente é uma hierarquia. Assim, em nossas relações podem sim existir hierarquias definidas ou elas estarem na forma como estamos interagindo. 

Lucas Gonçalves Monte

segunda-feira, 6 de março de 2017

As margens do Rio Ceará...

No dia 04 de março, um sábado, pela manhã a Polícia Militar ocupa um espaço na Barra do Ceará (morro de Santiago) com a proposta de pacificar a região. “A medida faz parte da operação Ocupação – Marco Zero, deflagrada pela Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), e está inserida nas ações do programa Pacto por um Ceará Pacífico. ” (Jornal O Povo).

Foi montado uma tenda, colocado bandeira e definido um plano de ações ostensivas para a região. Tudo para garantir a ocupação da PM. “Segundo [André] Costa [secretário de segurança pública], a escolha da Barra do Ceará tem um simbolismo, já que uma das teorias históricas diz ter sido lá onde Fortaleza nasceu, o chamado “marco zero”. ” (Jornal O Povo).

Dia 05 de março, um domingo, pela tarde eu estou no ônibus 051 – Grande Circular voltando de um almoço bem agradável e animado dentro do ônibus para chegar em casa e fazer um brownie vegano. Tudo certo até uma ação policial parar o ônibus. Um policial já chega gritando e mandando quem pulou a catraca descer (ninguém tinha pulado). Como ninguém se pronunciou começaram a escolher algumas pessoas para descer, até chega outro agente e diz para os homens descerem. Olha para algumas mulheres e escolhe algumas para descer também.

Desço do ônibus e vou para o canto tranquilamente até um policial chegar e gritar para eu colocar a mão na cabeça. Fico lá esperando ser revistado. Policial chega gritando no ouvido de todo mundo para olhar pra frente e eis que chega minha hora de ser revistado.

Com toda brutalidade desnecessária sou revistado e o tempo todo tendo que escutar palavras que incomodavam bastante. “Já disse pra abrir as pernas” e com dois chutes as pernas ficam mais abertas e sem equilíbrio fico torto. Depois da revista solto minhas mãos e antes de baixa-las já escuto “eu disse para baixar?! Todo mundo com mão na cabeça!”.

Imagem: Google Maps
Enquanto toda aquela agressividade se repetia com as outras pessoas e com quem passava de moto ou bicicleta fiquei olhando o Rio Ceará. Em meu momento de contemplação lembro-me que naquela mesma região começou a colonização do Ceará. O Capitão-mor Pero Coelho constrói na região o Fortim de São Tiago. Depois outro militar, Martim Soares Moreno, constrói outro forte no mesmo local que tinha sido o de São Tiago, o Fortim de São Sebastião. Durante esse período de ocupações militares na colonização, fortes foram bastante utilizados para garantir as ocupações.


Esses da região da Barra do Ceará tiveram dificuldades, porque tiveram que enfrentar a “agressividade” de indígenas. Eu prefiro dizer que foi a revolta do povo que realmente pertencia aquele local. Essa parte da história sempre me chamou a atenção, porque os grupos indígenas conseguiram derrubar os fortes e vencer esses militares. Esse foi meu momento de contemplação.

A contemplação acaba quando a PM manda o ônibus ir embora e a gente ficar, então um senhor praticamente implora para voltar ao ônibus e nesse momento consigo retornar ao veículo. Em uma última olhada para a região começo a notar que mais de 400 anos depois a história parece se repetir. Mesmas estratégias, praticamente as mesmas intenções, os mesmos discursos... quase irônico.


Logo em seguida alguém coloca para tocar no celular algumas músicas do Racionais, parecia a trilha sonora perfeita para o momento.
Lucas

sexta-feira, 3 de março de 2017

As (Des)vantagens de sair sozinho

Imagem: Bruna Freitas
Ano passado logo no começo eu chamei uma garota pra sair, ela disse não, e sabe o que eu fiz? Eu saí do mesmo jeito, ela não quis o meu programa de ir na ponte ver o por do sol sentar na faixa de praia e ver o oceano atlântico e desligar do mundo por umas três horas. Enfim eu acabei fazendo esse programa de boas eu acabei desligando do mundo não por três horas, mas por umas 6 horas.


Não sei muito bem o porquê a galera chama dar o bolo de coisas ruim, eu acho as vezes até legal, o bolo você fica até meio “triste” fica, ora! Você faz uma programação e na hora ver que não vai fazer aquilo que você tinha planejado com a pessoa, mas quando acontece isso comigo eu acabo fazendo as coisas que eu tinha planejado, oxe! O dia só tem 24 horas pra você ficar se remoendo por causa de uma bolo. Bolos são bons principalmente aqueles de chocolate, portando de a pessoas lhe der um bolo, coma! E o gelo? Esse sim é a pior forma de não querer falar mais com a pessoa, eu não sei o que se passa na mente desses seres, você passa tempos falando assuntos diversos por horas e tempos, e de repente, gelo, não fala mais, sumiu, e quando vocês se falam de novo a pessoa vem e fala: “ você tá sumido”, “ nem falou mais”, eu na boa não entendo. Então não de gelinho nos migo(as), isso não é bom, bate logo aquela “bad” da trouxice de que você criou expectativas, e sim você criou! E se você receber um gelo o que você faz? Não sei, eu ainda não cheguei nesse parte.

Nesses dias eu fiz uns programas,  (eu sou um jovem geógrafo bem barato) sai com uns amigos(as) lógico eu amei, gostei comi muito BOLO, cervas e cachaças, massa, o outro dia eu fui para o cinema, me peguei olhando para os lados  e não ter ninguém, mas porquê aconteceu isso? Sinceramente não sei.

As vezes você planeja pra ir para um local sozinho, vai sozinho, leva todo um aparato de coisas, um caderno, caneta e celular pra seila, registrar algum momentos, escreve algo, essas coisas que eu faço, enfim, você planeja tudo isso pra estar sozinho mas que na verdade você não quer está sozinho, você nem sabe com quem ou o que você quer estar, você só quer. Nesse momento você não ganha um bolo, você se bolo.

Mas afinal é carnaval ou pré carnaval, é pra você ficar de boas e se divertir, mas como? Você já parou pra pensar que tem gente que não gosta muito dessa festa. Eu por exemplo vou as vezes para os pré carnavais, mas não necessariamente significa que eu goste e queira ficar lotado de gliter (mas eu gosto). então se você me chamou para o carnaval ou para os prés e eu não fui, eu não lhe dei um bolo certamente eu falei que não iria e você acabou insistindo e mesmo assim isso não foi um bolo já que você já sabia que eu não ia, portanto se você não quer sair diga logo que NÃO, é simples rápido e ágil.

E você que leu até aqui pensando que eu já falar das vantagens e desvantagens de sair sozinho, não foi dessa vez porque esse conceito é muito amplo, pra mim sempre tem uma vantagem, e pra esse texto não acabar na bad eu chamei uma garota pra sair e ela aceitou não comemos bolo como eu tinha imaginado, mas comemos braunie.


E esse carnaval e em toda a sua vida, se uma mulher lhe dizer não, É NÃO! fique de boas e vá curtir sua festa.

Diego

domingo, 15 de janeiro de 2017

Corredor

Pelo corredor central eu a vejo
Com sua mochila, as vezes caderno na mão com seu óculos, grande óculos, sorrindo
Para no “Iguatemi” olha os vestidos e sai correndo


Eu to sempre ali, invisível, aos olhos dela.
Sentado quase sempre num banco onde tenho uma visão privilegiada do que ocorre no corredor.


As vezes tá um caos esse corredor.
É a tia dizendo que vai tacar um processo na universidade.
Os tios da limpeza falando de futebol, “quem é melhor? Ceará ou Fortaleza?”
Pessoas passando e nem se falando.


Já é a hora vou descer.
Passando pelos blocos
Vou até o final do corredor, paro pra beber água.
Vem o caos. Nossa é ela. O que eu faço? Falo? Não falo? Nada.


Fonte: UECE
“Ei man quanto tempo”
“Diga lá jovem”


Um abraço.
Um sorriso.
Um minuto com sensação de uma hora.
Que hora.
Um caos.


Não sei que termos são os dados hoje.
“A Chush” é assim né? Nem eu sei.
Eu segui meu caminho pelo corredor.
Voltei com olhar de quem procura aquele mesmo sorriso.


Mas não. Nossos caminhos não vão se encontrar assim tão fácil.
Afinal eu sou do G e ela é do L.
Mas todo dia faço esse trajeto.
Diego


sábado, 14 de janeiro de 2017

História, nossas histórias

Andando pelas ruas da cidade encontro um rosto peculiar. Com seus jeitos que pertencem só a si, falava e gesticulava mostrando a todas as pessoas ao seu redor quem era e até onde ia seu conhecimento de mundo. Um olhar mais atencioso deixava evidente que aquilo tudo não passava da superfície de todo conhecimento que estava presente naquelas falas.

Entre risadas e falas, aponta para mim e com um largo sorriso resolve me questionar. Pergunta o que faço ali e o que está faltando nas coisas que estão ao meu redor... desde objetos até mesmo o tempo. Basta apenas uma troca de palavras de trinta segundos para que eu note que eu estava envolta daquela energia ansiosa por histórias.

Começa falando sobre a importância de todas histórias. Sejam aquelas contidas nos livros, nas vivências cotidianas e até nas viagens ficcionais. Comenta como as mais diversas histórias são importantes e o quão é problemático uma pessoa não querer conhecer e entender tudo isso. De fato, são as histórias que compõe a nossa história de vida pessoal que vão construindo quem nós somos. As pessoas que estavam ao redor poderiam não entender exatamente isso, mas entendiam aquela forma de falar que chamava tanto a atenção.

E assim fiquei por 10 minutos ouvindo e falando, rindo, escutando as críticas, fazendo planos e convites. Contudo, diante de escutar pequenos trechos de vivências que iam tecendo um retalho de vida, não tive a oportunidade de compartilhar minhas histórias. Talvez eu nem tenha tentado fazer isso. 

Então esse é um momento de retratação e valorização do contar histórias, do fazer histórias, do próprio viver e compartilhar tudo isso. O curioso é que ao contar esta história eu já não sei definir se alguma parte é história ou estória, mas me parece que a composição fará parte da História, a minha História. 

Lucas

domingo, 8 de janeiro de 2017

E se...

Recomeços, principalmente em passagens de anos, puxam reflexões sobre o passado já concretizado. As vezes nesse processo de reflexão questionamos o próprio passado na expectativa de um presente diferente. Isso é bem fácil, basta você pensar “e se?”

E se eu tivesse ficado em casa?
E se eu não tivesse tentado?
E se eu adiasse o encontro?
E se faltasse tinta?
E se eu não fosse pedalar nesse dia?
E se eu não quisesse participar?
E se eu não tivesse me dedicado?
E se eu não mudasse?
E se eu não acreditasse?
E se...

sábado, 31 de dezembro de 2016

Um ano de ocupação e leitura

                Esse ano de 2016 entra na lista dos anos mais conturbados e movimentados que já vivi. Se tivesse que resumir em duas palavras escolheria “ocupação” e “leitura”. Entre coisas boas e ruins, fica o julgamento dessas coisas ao individual, quem viveu com intensidade esse ano teve que utilizar de bastante ocupação e muita leitura.
De 2015 até hoje podemos acompanhar no país os movimentos de ocupações por secundaristas e discentes universitários que transformaram suas escolas, colégios, faculdades e universidades em novos espaços para formação. Em luta contra reorganização das escolas em São Paulo, reformulação do Ensino Médio, PEC 241/55 (PEC do teto de gastos públicos), Governo (fora) Temer e outras pautas pertinentes as necessidades de cada local, os diversos grupos de ocupações mostraram sua força e iniciaram perturbações que trarão transformações nos próximos anos.
Para quem se prende em competição e acredita que tudo não passa de ganhar ou perder, vai dizer que quem lutou esse ano perdeu, contudo ignora a capacidade transformadora de interações em grupo. Interações que aconteceram em grupo e foram construídas em grupo, ou seja, sem ler teorias sobre trabalho em grupo ou cooperação esses grupos colocaram em prática o que é defendido e orientado por diversas pessoas da área da educação e formação, em especial a Aprendizagem Cooperativa.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

2016, um ano de afirmações

Não sei muito bem como explicar esse 2016, várias coisas aconteceram e deixaram de acontecer muitas vezes por vacilo mesmo, mas as coisas vão fluindo na medida do possível, tem que fluir.

Convivi esse 2016 com minhas crises financeiras, de as vezes não ter a grana da passagem pra ir para a UECE, ter que esperar sempre o mesmo motorista do bus, (porque ele sempre me dá carona), e na volta as vezes eu pulava, ou quando eu pegava ônibus da cobradora que deixava eu descer por trás.

Mesmo sendo bolsista tinha sempre essas faculdades, e como faz pra ir nas aulas de campo então? A primeira eu consegui ir economizando muito, gastando super pouco na cidade, mas deu certo, na outra tive que pedir dinheiro emprestado ao meu segundo pai, Henrique Gomes de Lima.

Nesse tempo, de janeiro a abril, me apaixonei, quebrei a cara, ganhei uma festa de aniversário, (e eu não desconfiei nada), vi meu Vozão… bem né não foi muito bem, mas sempre vida que segue.

E também em abril começou uma greve na UECE, com isso lá vem a pressão de casa, pra você arrumar um emprego, mudar ou não mudar de curso? “Movimento social Diego? Isso não dá dinheiro”. Tive que segurar as pontas, do meu Curso, de casa, das minhas finanças, e de outras cobranças. Seja no movimento social que eu contribuo, nos grupos de estudos, em casa e isso tudo com todo o rebuliço no país.

terça-feira, 29 de novembro de 2016

365 dias de consciência negra

Todo ano é mesma coisa, chega o dia 20 de novembro e parece que o racismo não existe, todo mundo de boas, “somos todos iguais”, ”nossa pauta é fortalecer o movimento negro” e etc... fico às vezes, quase sempre, de saco cheio dessas frases, eventos e mais eventos no dia 20 na televisão, então os programas compram a ideia e fazem a festa da negritude, “olha só esse rap, veio da periferia, viva”, chamam atores, atrizes, cantores, cantoras, para mostrar ao país, “olha a cultura negra agora, vamos fazer link com Salvador”

Mas e depois do dia 20? Todos voltaram a ser racistas novamente e dizer que lugar de pret@s é na periferia, que não pode entrar na universidade etc... Claro que o dia 20 de novembro tem que ser lembrado, mas só dia 20?

Exemplos:
O dia 24 de junho de 2001 morreu Geógrafo Milton Santos, que antes de eu entrar na universidade, eu pensava que ele era branco.

No dia 13 de fevereiro de 1977 faleceu Carolina de Jesus, escritora negra que escreveu livros Pedaços da Fome, Quarto de Despejo, antes de conhece ela, eu pensava que ela era branca.

No dia 10 de Abril de 1992, nascia Diego Costa, ora quem é Diego na fila no pão? Diego é um jovem negro da periferia, estudante de Geografia, que depois que entrou na universidade muitos tentam o embranquecer, a academia tenta lhe embranquecer, a sociedade tenta todo dia isso, mas não vão conseguir.

Então só tem o dia 20 de novembro é?

Sabe o que Milton Santos, Carolina de Jesus, Zumbi dos Palmares, Dandara dos Palmares e Diego Costa tem com comum?

Todos(as) são Negro(as) que lutam contra o racismo.
São cidadãos Negros Brasileiros

São cidadãs Negras Brasileiras.





segunda-feira, 22 de agosto de 2016

DIÁRIO DE UM SUBURBANO: 24º Encontro Estadual de Estudantes  de Geografia do Ceara - EEEGE.

Na ultima semana aconteceu o 24º Encontro Estadual de Estudantes de Geografia na cidade do Crato (Cratinho de açúcar). Bem o que falar desse do EEEGE? Eu sinceramente não tenho nada pra falar, acho que estou curtindo a "vibe" das lembranças, das dilatações de pupilas que eu tive nas mesas, nas culturais, nas “não culturais” em tudo, cada momento desse EEEGE foi sem explicações.

Ao chegar na Urca me deparo com o “caos” uma assembléia pra decidir de vai ter greve, eu meio atordoado da viagem sem saber pra onde ir. A plenária acaba, não vai ter greve, mas uma coisa me deixa inquieto alunos ofendendo professores do mais diversos insultos, “vagabundo” foi so um exemplo isso me faz lembrar da UECE onde não só alunos insultando professores, mas professor falando mal de professor. Falando mal de aluno só porque apoiava os professores que aderiram  a greve. Eu sou vagabundo porque tem alunos que chamam de um sem futuro, porque é  o estudante que participa movimento social ( Levante Popular da Juventude), é o estudante que vai na reitoria brigar por um ônibus pra ir pro EEEGE, e ainda sou o negro pobre de periferia,   estou estudado numa Universidade Publica pra ser Vagabundo, porque eu vou ser professor que tem que dar aula nos três turnos. Enfim.

Mesa de Abertura - EEEGE 2016
fonte: https://www.facebook.com/eeege2016
A Construção de uma Geografia combativa começa dentro de cada uma dos 300 inscritos no evento, que vieram para contribuir e construir, eu, este simples ser aproveitei ao Maximo e acho que dei minhas contribuições na medida do possível, do meu jeito da minha forma, indo pro lado e pro outro chamando pelo nome doce do evento: “Cadê Igor?”. E o que falar de Igor? Esse poeta do Cariri, que sempre me ajudou antes do evento, nas listas dos participantes da UECE, quem já pagou, quem não pagou, tivemos momentos de desabafo um pro outro, e sempre falávamos: “cara vai dar certo” e deu! Tudo  atingiu as expectativas, as mesas sem comparação, os GDS, os GTS, os 2 campos e claro  a forma que fomos recebidos pela Comissão Organizadora de uma simplicidade massa. As ouras delegações UFC, FAFIDAN, UERN, também so elogios!

Saio do evento com uma ideia  que, estou vendo articulações sendo feitas entre as escolas de Geografia do Ceará (UECE-UFC-URCA-UEVA) por que luta de um, é luta de todos.
Que venha o 25º Encontro Estadual de Estudantes de Geografia do Ceará, na UECE campus Limoeiro – Fafidan!
No fim, nao tem fim, é apenas o começo!

EEEGE GO!

“Comissão
A UECE se apaixonou
Pelo que URCA Organizou
E pelo close que na acabou!

Eu vou fazer uma promessa
Pra FAFIDAN arrazar
E em limoiro vamos nos encontrar

Eu to na militância
Pra fazer acontecer
Esse eeege que já vai nascer
Todo estado vai comparecer

É tão ruim quando o c.a é fuleragem,
Mas ai vem o coletivo e arrasa na organização

Mais voltando para o agradecimento
O coração fica doendo
Pensando logo em retornar

Mas o EEEGE (EEEGE)
Integra o conhecimento
Eu sei (eu sei)
Que daqui vou sair bem, diferente”



Delegação UECE - 2016
fonte: https://www.facebook.com/eeege2016/

                                                         



quarta-feira, 15 de junho de 2016

Memórias


As vezes vem umas lembranças do meu ensino fundamental 2002, piadas, risos e apelidos que eu recebia na nessa época, ainda estão na minha mente, mas né o que se espera de uma sala de aula embranquecida com menos de sua metade ser feita de negros.

O que me entristecia era os manos fazendo a mesma prática. Uma tarde a professora de português chamou dois alunos pra irem na biblioteca pegar uns livros pra aula, já que naquela época não se tinha livros pra todo as turmas de 5º serie, trouxe cerca de 10 livros perto da sala, meu amigo também trouxe mais 10. No fim da aula a professora pede pra nós irmos deixar os livros novamente. O sinal do recreio toca, os meus livros caem no chão, ouço risos e cochichos, lembro como se fosse hoje das frases: “tão magro que nem pode com os livros”, “negro é osso”. Na fila da merenda mais frases: "deixa ele passar o neguinho ai precisa ficar forte” e mais risos, eu até tentava levar na esportiva, mas a quem eu quero enganar. O recreio naquele dia foi um tormento, 20 minutos que pareciam 20 anos. No dia seguinte pensava que tudo ia ficar de boas, mas não! Vinha mais e com apelidos (desculpem, mas não vou dizer).

sábado, 23 de abril de 2016

Feliz aniversário

“Aos olhos da sociedade mais um bandido”

09 abril de 2016 periferia de Fortaleza, tinha tudo pra ser um final de semana normal, afinal de contas era véspera do dia 10. Pela manhã vou a uma reunião de planejamento do grupo de estudos que participo, o GEMA, na escola Adauto Bezerra, que fica no bairro de Fátima, pra planejar um ciclo de estudos sobre a cidade de Fortaleza. No caminho até a parada passa por mim motos do Raio, eu meu subconsciente penso logo “vão me parar”, mas não ocorre acho que pelo fato de eu estar com uma blusa que fazia referência a UECE me fazia menos suspeito.

Pela tarde fui convidado por uma amiga minha, Daniela, a participar de uma roda de conversa sobre feminismo Negro na escola realizada pelo Movimento Hip Hop – Nós por nós na 2 de Maio,  lá conversamos sobre várias questões um espaço muito rico de informações: o processo histórico do movimento feminista, a relação com a mulher negra nesse processo até a chegada dos dias de hoje. Espaços esses são extremamente necessários nas escolas publicas das periferias de Fortaleza, para o empoderamento, conhecimento, de tudo ao seu redor.

Pois bem, depois de um dia riquíssimo de informação super de boas, venho eu com mais 3 meninas caminhando tranquilamente pelo Jardim União quando me despeço delas e entro na rua Silvanira de Jesus...
Eu vejo o raio
O Raio me vê
- Deita, deita, deita, Vagabundo...

domingo, 3 de abril de 2016

Aventuras de um suburbano: show do Iron Maiden

Imagem de Diego
24 de março de 2016 quem poderia imaginar, eu num show da melhor banda de heavy metal de todos os tempos, na cidade onde nasci, cresci.

A espera de longos 3 meses desde o dia que eu comprei o ingresso, foi uma coisa de louco, por que mesmo com o ingresso em mãos ainda na tinha caído a ficha de que eles vinham pra cá, uma espera quase que sem fim. Claro que com a compra do ingresso algumas coisas deixei de fazer, (foram todas as minhas economias). “Diego vamos sair? Cinema”. Não tenho grana! “Diego vamos na praia?” Não tenho grana! Enfim, conheci o outro lado da cidade os programas que da pra fazer sem, grana, enfim o show do Maiden me faz aproveitar a cidade de uma forma mais proveitosa, bem de boas. E o carnaval? Carnaval ora pra quê? Se o meu carnaval está um mês de distância, era só esperar.

quinta-feira, 24 de março de 2016

Desmilitarização da mentes

“A policia serve para manter o bem estar e a paz na cidade”

Fonte
Me pergunto se essa frase está certa, para garantir a paz e o bem estar precisamos de fardados armados circulando entre nós, para decidir o que é certo ou errado. Afinal o que certo ou errado, eles? Se eu estou parado na esquina, estou errado, se ando, estou errado, se estou sem fazer nada, tá errado e se eu pensar em responder é desacato.

A paz está onde a policia está? Aqui “nasareas” quando chega a tensão corre fundo de todos, sempre com suas armas em punho avisando pra se afastar e “ai” de quem entrar no perímetro. Estava tudo na paz tudo no bem estar, até eles causarem a tensão de sua simples presença.

Não lembro de quem me falou essa frase “a periferia é resultado do que a policia faz com ela”. Nada é por acaso, tudo é resultado um triste resultado, os fardados que estão na periferia não são os mesmos que estão nas áreas ditas nobres da cidade, alias, por que você tem esse titulo de nobreza? Eu também sou nobre. Posso ser até mais nobre que você, enfim. A verdade é que a policia não é preparada para sociedade que temos.

Fecho meu texto com um caso:

segunda-feira, 21 de março de 2016

5571: o número da impotência

                O que pode acontecer com o número 5571? Endereço, pedaço de um telefone, algum bilhete de loteria. É algo tão aleatório que poderá remeter a qualquer pessoa, qualquer lembrança. Em mim? A impotência. 5571 é o número da impotência.
                O que pode fazer um ciclista depois de pedalar seus 5km e 571m? Nada além de relaxar na noite do centro de Fortaleza, ou pelo menos deveria tentar. Contudo, o 5571 estava um pouco próximo e eu mal sabia de sua presença.
                Depois de pouco mais de um minuto e meio, que, em segundos, é pouco mais de 92 e em seus milissegundos equivale 5571, o 5571 chegaria próximo a mim. Noto que algo está se aproximando de minha bicicleta, mas não tenho tempo de definir com clareza o que é, só percebo que essa aproximação está inferior a distância de 1,5m, então estico o braço para mostrar a distância que preciso para ter uma segurança.
                Contudo, era o 5571 que ao ver meu braço levantado avança com toda velocidade, o que me obriga a retirar a mão com maior velocidade. Consigo manter o equilíbrio na bicicleta, então reclamo pela ação do 5571 e quando faço isso o 5571 logo grita “coloca a mão de novo para você ver”, “na próxima vez continua na minha frente”... que reação tomar ao ser ameaçado dessa forma e de outras? Não demora muito e ele está atrás de mim, mas o que fazer? Denunciar o que? Para quem? Sinto só aquela impotência do trânsito enquanto vai ficando para trás aquele 5571 estampado na pintura da viatura!

sexta-feira, 18 de março de 2016

Três anos de devaneios

Hoje o blog Devaneios Universitários está fazendo três anos e com algumas novidades que serão explicadas no vídeo:





Então é isso, agora temos dois autores no blog e esperamos conseguir construir textos cada vez melhores.

sábado, 5 de março de 2016

Menino na rua

Andando pela Av. da Universidade, embaixo de uma leve chuva um jovem, negro, sujo, com roupa rasgada me aborda e pergunta se tenho algum trocado. Não tenho, mas o cumprimento, ele me dá um abraço e vai embora...

...um tempo depois o mesmo jovem me aborda na Av. Treze de Maio e lá estamos nós novamente. Ele não me reconhece, mas me cumprimenta e diz que acabou de sair da prisão e quer voltar para casa, mas não tem dinheiro nem para comer e mais uma vez me pede um trocado. Digo que não tenho, mas eu não tinha mesmo, e troco uma ou duas palavras com ele...

...dias depois estou andando pela Av. da Universidade e o vejo falando com alguém em uma parada de ônibus. Uma amiga que estava comigo diz que ele estava assaltando a pessoa e levanta seus argumentos, contudo não quero acreditar que o mesmo jovem que tinha trocado algumas palavras comigo estaria fazendo aquilo que ele disse que não queria fazer. Sigo meu caminho, mas aquilo fica na minha cabeça...

...ontem andando a noite pela Av. Treze de Maio adivinha quem encontro? O mesmo jovem ao lado de outro andando. Ele tenta me abordar, mas o pensamento de que ele possivelmente assaltou uma pessoa dias antes faz com que eu o ignore e siga no meu caminho. Contudo essa minha ação ficou perturbando minha mente: por que eu tinha feito isso? O que isso pode gerar? Quais as consequências da minha ação naquela pessoa?

...hoje andando pela Av. Treze de Maio adivinha quem encontro mais uma vez? Isso mesmo, o jovem. Dessa vez retiro uma simples cédula de dois reais e vou até ele para entregar. Ele me reconhece e digo que no outro dia não tinha nada para dar, mas dessa vez poderia ajudar. Converso um pouco com ele sobre que decisões tomar, sobre tomar cuidado com alguns caminhos e toda sua atenção olhando olho no olho mostra seu envolvimento naquela conversa. Mas eu sei... eu sei que uma cédula de dois reais não mudará em nada, não é de uma pequena assistência que ele precisa, mas foi o que deu para fazer...
Fonte


...depois de conversar com uma amiga pego minha bicicleta e sigo em direção a Av. da Universidade. Vejo o jovem comprando uma garrafinha de água com os dois reais. Talvez aquela simples assistência, aquela cédula de pouco valor tenha sido de muito valor e não tão simples naquele momento...