Então é isso, agora temos dois autores no blog e esperamos conseguir construir textos cada vez melhores.
sexta-feira, 18 de março de 2016
Três anos de devaneios
Hoje o blog Devaneios Universitários está fazendo três anos e com algumas novidades que serão explicadas no vídeo:
Então é isso, agora temos dois autores no blog e esperamos conseguir construir textos cada vez melhores.
Então é isso, agora temos dois autores no blog e esperamos conseguir construir textos cada vez melhores.
domingo, 6 de março de 2016
Até o dia 18...
Pessoas, ultimamente o blog Devaneios Universitários vem movimentando um bom número de visualizações e isso é algo que agrada bastante, porque, provavelmente, é um reflexo da qualidade das postagens e do cuidado que temos. Talvez não seja isso, talvez não tenhamos qualidade, mas ainda sim um grupo de pessoas estão frequentando esse espaço e isso merece atenção.
Atenção para que as postagens sejam mais frequentes; atenção para que a qualidade não caia; atenção para não perder uma visão crítica, holística, sistêmica; atenção compartilhar as experiências vividas trazendo a sensação de estar vivendo também aquilo, em outras palavras, saber levar a realidade que envolva a pessoa por meio da escrita e é pensando nisso que iremos dar uma pausa.
O blog precisará parar por uns dias para fazermos modificações. Não sairá do ar, mas modificações irão ocorrer a todo instante, então se você olhar com atenção irá conseguir notar algumas, mas todas as modificações, esperamos, estarão divulgadas no dia 18 desse mês. Voltaremos no dia 18, nos aguardem...
sábado, 5 de março de 2016
Menino na rua
Andando pela Av. da Universidade,
embaixo de uma leve chuva um jovem, negro, sujo, com roupa rasgada me aborda e
pergunta se tenho algum trocado. Não tenho, mas o cumprimento, ele me dá um
abraço e vai embora...
...um tempo depois o mesmo jovem
me aborda na Av. Treze de Maio e lá estamos nós novamente. Ele não me
reconhece, mas me cumprimenta e diz que acabou de sair da prisão e quer voltar
para casa, mas não tem dinheiro nem para comer e mais uma vez me pede um trocado.
Digo que não tenho, mas eu não tinha mesmo, e troco uma ou duas palavras com
ele...
...dias depois estou andando pela
Av. da Universidade e o vejo falando com alguém em uma parada de ônibus. Uma
amiga que estava comigo diz que ele estava assaltando a pessoa e levanta seus
argumentos, contudo não quero acreditar que o mesmo jovem que tinha trocado
algumas palavras comigo estaria fazendo aquilo que ele disse que não queria
fazer. Sigo meu caminho, mas aquilo fica na minha cabeça...
...ontem andando a noite pela Av.
Treze de Maio adivinha quem encontro? O mesmo jovem ao lado de outro andando.
Ele tenta me abordar, mas o pensamento de que ele possivelmente assaltou uma
pessoa dias antes faz com que eu o ignore e siga no meu caminho. Contudo essa
minha ação ficou perturbando minha mente: por que eu tinha feito isso? O que
isso pode gerar? Quais as consequências da minha ação naquela pessoa?
...hoje andando pela Av. Treze de
Maio adivinha quem encontro mais uma vez? Isso mesmo, o jovem. Dessa vez retiro
uma simples cédula de dois reais e vou até ele para entregar. Ele me reconhece
e digo que no outro dia não tinha nada para dar, mas dessa vez poderia ajudar.
Converso um pouco com ele sobre que decisões tomar, sobre tomar cuidado com
alguns caminhos e toda sua atenção olhando olho no olho mostra seu envolvimento
naquela conversa. Mas eu sei... eu sei que uma cédula de dois reais não mudará
em nada, não é de uma pequena assistência que ele precisa, mas foi o que deu
para fazer...
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| Fonte |
...depois de conversar com uma
amiga pego minha bicicleta e sigo em direção a Av. da Universidade. Vejo o
jovem comprando uma garrafinha de água com os dois reais. Talvez aquela simples
assistência, aquela cédula de pouco valor tenha sido de muito valor e não tão
simples naquele momento...
domingo, 21 de fevereiro de 2016
A vida é um desafio - Diego Costa
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| Imagem: João Paulo Brandão |
O que é ser negro? Até o dia de hoje, eu só sabia, só
sentia um lado, o marginal, o suburbano, o que sempre leva a culpa, o que quase
sempre é parado pra levar um baculejo,
sempre o suspeito. Quando a situação é ruim, a coisa é preta, o neguim de cabelo ruim, piadas, risos e
deboches. Mas o que esperar de um jovem negro da periferia onde a criminalidade
anda solta, onde sempre, sempre o dia é tentado a usar drogas ou pegar numa
arma. E pra que? Ganhar moral, status, se sentir seguro. E a escola onde a
tensão bate na sala de aula todo o dia. Quando a professora entra sentimos a
tensão no rosto dela.
Nunca vou me esquecer de uma conversa:
“- Hoje é dia de prova e eu não sei de nada”
“- tu trousse a pesca? ”
“- eu trousse algo melhor, vamos tirar 10”
E ele me mostrou uma arma
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016
Não sairemos das ruas
Não adianta xingar, gritar, fazer gestos ofensivos com as mãos... não
sairemos das ruas!
Se fizesse uma lista com todos os
palavrões que ouvi, já teria montado um dicionário de expressões ouvidas e se
eu fosse gritar de volta, já iria ser preciso fazer os mesmos gestos ofensivos
como “retribuição”.
Não adiantar ficar encarando e esculhambando quando passar... não
sairemos das ruas!
Sabe aquele olhar de raiva ou
aquela palavra mal dita gratuitamente? Não vai adiantar, porque não sou
intimidado com cara feia, afinal me olho no espelho todos os dias.
Não adianta ameaçar ou ficar fingindo algo para amedrontar... não
sairemos das ruas!
Parar o carro do lado ou ficar
acelerando no sinal vermelho não será o suficiente. Muito menos se vier
acompanhado da frase “vou passar por cima”.
Não adianta falar que é você quem manda na rua ou mostrar... não
sairemos das ruas!
Você não é o dono da rua e nem
adianta tentar mostrar algo, porque estou bem consciente da minha posição em
cima desse asfalto.
Não adianta falar que seremos roubados durante o caminho... não
sairemos das ruas!
Posso ser roubado fazendo isso ou
não; posso ser roubado de outra forma, mas não quero deixar que as palavras
negativas me roubem a liberdade de sentir o vento no rosto enquanto o suor
escorre por todo esforço realizado.
Não adianta fazer “fina educativa”... não sairemos das ruas!
Estou educado o suficiente para
saber que o local da bicicleta é ao seu lado em uma avenida/rua e sei que a
distância lateral tem que ser 1,5m e mesmo que você insista em não respeitar
isso, não sairemos das ruas. Não sairemos, porque no momento que a pessoa que
pedala aceita esse tipo de atitude e para de pedalar permite que o veículo
maior, não só o “vença”, mas deslegitime a bicicleta como veículo de
transporte.
Pedalar contra todas essas
adversidades é buscar o reconhecimento de que a bicicleta é um veículo e
precisa coexistir com outros veículos no trânsito; é tentar mostrar que é
possível um fluxo harmônico entre as peças quem compõe essa rede muitas vezes
caótica; é acreditar que existem formas alternativas e eficientes de
deslocamentos nas cidades e legitimar a utilização da bicicleta como meio de
transporte. Fazemos parte do trânsito, compomos o trânsito e uma hora terão que
entender isso.
Não adianta nos atropelar... não sairemos das ruas!
Essa parte é um pouco mais
complicada, mas também não sairemos. Já tentaram me atropelar, já tentaram atropelar
pessoas conhecidas e desconhecidas. Já conseguiram, mas não deixamos de
pedalar. Por cada pessoa que morre no trânsito ao pedalar vítima da má
estrutura viária para a bicicleta, da imprudência de outros veículos ou
qualquer outro motivo, não podemos deixar de pedalar. Ao fazermos isso estaríamos
considerando cada falecimento em vão, enquanto continuar pedalando é carregar o
nome de cada pessoa que não desistiu.
Cada pessoa que faleceu pedalando
e sem desistir de acreditar nessa forma de locomoção é responsável pela mínima
estrutura que temos hoje. Foram seus esforços e sacrifícios que trouxeram um
pouco mais de segurança para cada um de nós, então é justo com essas pessoas
que abandonemos a bicicleta.
Sabendo que posso falecer
pedalando e que posso ter problemas ao reivindicar por mais estrutura para a
pessoa que pedala é que tenho de pedalar mais. Porque da mesma forma que as
pessoas que já passaram por essas ruas lutaram para eu termos o que temos hoje,
somos responsáveis pela estrutura que as pessoas do futuro vão ter. Na verdade,
as pessoas de um futuro tão próximo que pode se confundir com o presente ou,
quem sabe, até mesmo você chegará a aproveitar essa mudança. Por isso não
podemos sair das ruas e deixar lado a luta para legitimar a bicicleta como meio
de transporte.
Não sairemos das ruas por tantos
motivos, por tantas pessoas, mas nesse texto, em especial, não sairemos das
ruas em honra ao Sr. Vicente Veloso Neto, o Xuxa, que faleceu aos 67 anos de idade enquanto pedalava pela cidade de Fortaleza – CE.
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| Vicente Veloso Neto, o Xuxa (Jornal O Povo) |
terça-feira, 9 de fevereiro de 2016
Carnaval pra quem? - Diego Costa
Carnaval existe crise?
Brasil, meu Brasil brasileiro, terra do samba, do futebol, do
carnaval, doce carnaval! Festa essa que nos esquecemos de todos os problemas
que temos (uma espécie de amnésia? Ou apenas uma marolinha?). Na TV só vemos festas
e mais festas do Monte Caburaí ao Chuí, que esquecemos até da chamada
‘’crise’’.
Crise o que é isso? No carnaval tem crise? Onde estão as
altas taxas de juros e o desemprego? Cadê? Parece até que não existe esse negócio
de crise. Enfim nosso Estado é cheio de problemas, que desaparecem em um
feriadão, pois quem é que vai querer saber do desastre de Mariana que já esta
com três meses, ou com a situação dos refugiados da Síria, ou com a
precarização da educação, e quem vai lembrar dos “nobres Políticos”. Claro que
não, pois é Carnaval e seus problemas acabaram.
E assim seguem as propagandas de a melhor festa é aqui e tudo
mais. Enquanto uns festejam a crise, outros sofrem com ela, pois quem está sem
emprego, depois do meio dia de quarta ainda vai estar sem emprego e a “crise”
vai voltar a ser “crise”. Temos o Pão e o Circo.
Carnaval pra quem?
Graduando em Geografia (UECE)
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