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sábado, 24 de fevereiro de 2018

A quem damos o futuro? Professores ou políticos?


Icó, cidadezinha pequena do interior  do Ceará, tombada pelo Instituto  do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e local de morada de gente que como eu passou a vida inteira olhando a beleza arquitetônica, o por do sol no Largo do Thenberge; porém, além disso, uma cidade que sofre com o mesmo cenário nacional de hoje, a retirada de direitos do povo. As imagens de ontem (22/02/18) se mesclam entre orgulho, pela junção de tantos movimentos sociais lutando pelos professores, pelo povo, pela educação básica de Icó; mas também de indignação e revolta pela forma com que ainda somos criminalizados por gritar a plenos pulmões que o que é de direito do povo, dos professores não será tomado!

A prefeita em exercício, autora do projeto que diminui a carga horária dos professores pela metade, se quer teve a empatia e a sensibilidade de olhar para aqueles que dependem deste único salário para sobreviver, e abro um parêntese aqui com o gosto amargo da indignação, vocês sabem o que é ver uma professora chorando porque não vai ter como pagar as contas? Sabem o que é ouvir um relato de uma professora falando que vai ter que vender dindim pra poder pagar as passagens do filho que estuda no Instituto Federal do Ceará, localizado no município de Cedro? Sabe o que é sentir que como futura professora, você pode ser aqueles que choram hoje por ter direitos pisoteados em sua cara, salário atrasado, ser recolocada pra locais a longa distancia de onde você mora? E ai eu coloco o slogan do atual governo do Icó, escolhido pela digníssima prefeita, “CIDADE FELIZ”... ou seria (in)feliz? E ai é com maior nó na garganta que lembro e revejo as cenas de ontem, gente de luta, sendo reprimida por um Secretário de Segurança TOTALMENTE despreparado, crianças sendo atingidas, uma senhora de 86 anos foi atingida com spray de pimenta, polícias rindo como se fosse satisfatório realizar esse tipo de ato e ai eu pergunto a vocês: reprimir povo que somente levou a voz como instrumento de luta é justo? É justo ter meu direito de ir e vir bloqueado a manda da prefeita e vereadores?

Ontem, aparentemente, eu fiz uma viagem no tempo, e adivinhe, vim parar em 1964, e acredite, os tempos sombrios não parar; mas como a luta também não para, e nunca deve parar, vos digo, LUTO pra nós, pros professores, pros movimentos sociais, pro povo em geral, é VERBO!!

Rita de Cássia Guedes de Lavor
Graduanda em Letras Espanhol (UAB/UFC)
Moradora da cidade de Icó - CE


Fonte: Desconhecida (Facebook)

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Diário de um suburbano: Um sábado.


As coisas acontecem do acaso, não sei o porquê, mas acontece, como se perder pelo centro de fortaleza atrás de uma loja que estava fechada, ou as tentativas de ser pegar um elevador, mesmo sabendo que não vai dar certo, ou um mano oferecendo um flor feita na hora de palha por 5 conto.

De fato não sabemos definir isso, o acaso, mas tudo tem uma conexão, do pagodão que estava tocando no passeio público ao sorriso da criança da tia que vendia água. Do furo do piercing ao tio que vendia “pau de selfe” (vish), Do alívio que se tem ao entrar num supermercado com ar condicionado ou de parar numa esquina e se perguntar: “o que nós tamo fazendo mesmo?”, “eu não sei”

E ficar agoniado também vale, com o pessoal que fica pulando da ponte para o atlântico ou problematizar o porquê a tia tava vendendo aqueles brigadeiros, e antes disso tudo ter uma d.r, e acabar com “man to com sede”. E ainda ter que ouvir uma galera explicando por D.R como ser um cristão e eu falar: “ man eu to doido pra falar”,  mas ela fala… “fica de boas Diego”.

As coisas do acaso da vida parece ser bastante interessante, como falei no começo do texto, e são coisa que não conseguimos explicar, falar ou ate escrever, só sentimos simplesmente.


Mas isso é a vida, é feita desses acasos simples e às vezes aleatório ou não, e o que importa é você viver o momento e (a)mar, e tchau também, sempre esperando que dias como esse se repita mais vezes com cenário de um por sol de sábado.


Foto: Diego
Foto: Diego

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Nós, homens, somos potenciais estupradores

Talvez eu esteja longe de estuprar alguém, talvez você esteja longe de estuprar alguém, talvez seu pai esteja longe de estuprar alguém, mas aqui não falo do indivíduo e sim de homens como um todo. No todo, tempos a potência de estupradores.

Para explicar isso vamos começar pelo português: ter potência significa ter a característica de potente, ter um poder e de um modo geral homens possuem esse poder para estuprar (não estou querendo dizer que todo homem vai fazer isso). "Mas mulheres também podem estuprar e já estupraram.", legal, mas vamos mudar de ponto.

Passando para um pouco de matemática: para verificarmos se homens são ou não possíveis estupradores precisamos pegar uma amostra de homens. Essa amostra precisa ser suficientemente grande e aleatória. Pense sobre esse grupo bem heterogêneo e esqueça você, seu pai, irmão e tio... você acha que esse grupo tem maiores chances de estuprar? Acredito que sua resposta será sim, porque de um modo geral há muito mais casos de assédios e estupros cometidos por homens do que por mulheres, ou seja, estatisticamente homens possuem a potência de estupradores. "Mas eu respondi a tua pergunta com um não", tudo bem, vamos para outra vertente.

Vamos falar de sociedade? Você entende que algo que aconteceu no passado é capaz de influenciar/afetar o presente né? Se você discorda disso, então provavelmente não aceitará que estamos aqui agora, porque somos o fruto de diversas interações do passado. Seja em qual for o sentido de pensamento da sociedade, o fato é que interagimos e vamos influenciando o que vem pela frente. Ora, viemos de sociedades patriarcais que valorizavam e desenvolviam habilidades de poder entre os homens e subjugavam as mulheres. Posso parar aqui ou precisa falar mais? Constantemente estávamos em sistemas que colocavam os homens em vantagens e isso trouxe um cenário onde o homem continua tendo essa vantagem, já que isso nunca foi quebrado de fato, ou seja, o homem tem diversas vantagens e isso nos dar potências. Montamos um sistema que além de dar potência para o homem faz isso em detrimento da mulher, logo reforça mais ainda nossa vantagem. Sério que você ainda acha que não temos a potência de estupradores?

Vamos ao grande problema disso tudo: não reconhecer que temos essa potência. Quando não reconhecemos isso deixamos de discutir o assunto, porque fingimos que ele não existe e ao fazer isso deixamos de encontrar possíveis estratégias que sejam eficientes na mudança da sociedade. O que precisamos fazer? Reconhecer que somos potenciais estupradores. Nós somos e é preciso reconhecer isso para refletirmos em cima dessa ideia e buscarmos as soluções necessárias.

Reconhecer essa potência não é crime algum e não afetará sua "honra", "dignidade", respeito, educação ou o que for. Tudo isso será afetado negativamente se você ter consciência dessa potência e não fizer nada para supera-la.

Lucas

domingo, 21 de fevereiro de 2016

A vida é um desafio - Diego Costa

Imagem: João Paulo Brandão
O que é ser negro? Até o dia de hoje, eu só sabia, só sentia um lado, o marginal, o suburbano, o que sempre leva a culpa, o que quase sempre é parado pra levar um baculejo, sempre o suspeito. Quando a situação é ruim, a coisa é preta, o neguim de cabelo ruim, piadas, risos e deboches. Mas o que esperar de um jovem negro da periferia onde a criminalidade anda solta, onde sempre, sempre o dia é tentado a usar drogas ou pegar numa arma. E pra que? Ganhar moral, status, se sentir seguro. E a escola onde a tensão bate na sala de aula todo o dia. Quando a professora entra sentimos a tensão no rosto dela.

Nunca vou me esquecer de uma conversa:

“- Hoje é dia de prova e eu não sei de nada”
“- tu trousse a pesca? ”
“- eu trousse algo melhor, vamos tirar 10”

E ele me mostrou uma arma

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Carnaval pra quem? - Diego Costa

Carnaval existe crise?

Brasil, meu Brasil brasileiro, terra do samba, do futebol, do carnaval, doce carnaval! Festa essa que nos esquecemos de todos os problemas que temos (uma espécie de amnésia? Ou apenas uma marolinha?). Na TV só vemos festas e mais festas do Monte Caburaí ao Chuí, que esquecemos até da chamada ‘’crise’’.

Crise o que é isso? No carnaval tem crise? Onde estão as altas taxas de juros e o desemprego? Cadê? Parece até que não existe esse negócio de crise. Enfim nosso Estado é cheio de problemas, que desaparecem em um feriadão, pois quem é que vai querer saber do desastre de Mariana que já esta com três meses, ou com a situação dos refugiados da Síria, ou com a precarização da educação, e quem vai lembrar dos “nobres Políticos”. Claro que não, pois é Carnaval e seus problemas acabaram.

E assim seguem as propagandas de a melhor festa é aqui e tudo mais. Enquanto uns festejam a crise, outros sofrem com ela, pois quem está sem emprego, depois do meio dia de quarta ainda vai estar sem emprego e a “crise” vai voltar a ser “crise”. Temos o Pão e o Circo.


Carnaval pra quem?
Graduando em Geografia (UECE)





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quinta-feira, 29 de outubro de 2015

domingo, 13 de setembro de 2015

Pichação é arte - João Wainer

João Wainer (Imagem: Uol)
Trabalho como repórter-fotográfico em São Paulo e passo o dia todo rodando pelas ruas dessa gigantesca cidade. O banco da frente do carro de reportagem é meu escritório. O barulho das buzinas dos motoboys, o cheiro de fumaça e os congestionamentos fazem parte da minha rotina.


Faz tempo que comecei a prestar atenção às pichações que dominam os muros da cidade. Conheci alguns pichadores e descobri que existe uma guerra silenciosa na noite paulistana. Milhares de jovens disputam os lugares mais altos para marcar seu nome ou o de seu grupo. Eles escrevem num alfabeto próprio, desenvolvido com linguagem e códigos específicos. Ganha a disputa quem pichar mais alto, no lugar com maior visibilidade.

A cada nova história que escutava eu me interessava mais pelo assunto. Passei a reparar nas letras, a tentar decifrar cada palavra e mensagem como se fosse um quebra-cabeça. Aos poucos, aquilo que parecia caótico começou a fazer sentido para mim. Percebi que aquilo não era tão feio como alardeavam. Na verdade, a suposta feiúra da pichação até combinava com a paisagem acinzentada de São Paulo. O estilo das letras, a forma, o jeito com que elas são escritas são lindos. Adoro ver no alto dos prédios aquelas pichações enormes, com letras enfumaçadas. Tento imaginar quem fez, como fez e o que passou pela cabeça dele enquanto fazia.

sábado, 12 de setembro de 2015

Pichação é crime. Grafitagem é arte - Eudes Quintino

Eudes Quintino (Imagem: Município de Mirandópolis)
Desde os primórdios, o homem se destacou em se expressar por meio de desenhos e escritos, nos rochedos e paredes das cavernas onde habitava. Muitos sítios arqueológicos preservados apontam que, desde a época da Pedra Lascada, os artistas pintavam animais, preferencialmente cavalos, mamutes, bisões e seres humanos, com destaque para as mulheres. Utilizavam-se de ferramentas feitas de ossos, pedra e marfim, que serviam tanto para os desenhos, como para a caça e a luta entre grupos inimigos.

Talvez resida aí uma das explicações da origem da pichação e da grafitagem, técnicas que realizam uma intervenção urbana visando expor a arte de rua (street art). A legislação brasileira que trata da aplicação de sanções penais e administrativas em decorrência de atividades lesivas ao meio ambiente (artigo 65 da Lei nº 9.605/ 1998), pune aquele que “pichar, grafitar ou, por outro meio, conspurcar edificação ou monumento urbano”. A pena é de três meses a um ano e aumenta de seis meses a um ano se o ato for praticado contra monumento ou coisa tombada em virtude de seu valor artístico, arqueológico ou histórico.

Tanto a pichação como o graffiti foram lançados na vala comum e considerados condutas penalmente reprováveis, pelo dano que causam ao ambiente, em razão da poluição visual. Ocorre que, lentamente, a própria avaliação estética proporcionou uma separação e uma nova definição para as duas modalidades. A pichação despe-se de qualquer referência artística e, inerente à sua vocação clandestina, invade as ruas com palavras hostis e símbolos agressivos de uma cultura de transgressão. A grafitagem, por sua vez, estruturada por grupos comprometidos com a arte, busca o espaço urbano para trabalhar com sua tinta spray e criar paisagens, gravuras e painéis harmônicos, extremamente coloridos. É muito frequente o pedestre parar e admirar a arte exposta na rua, sem falar do interesse interpretativo dos críticos especializados na modalidade, que já conseguiram entronizar a street art nos grandes museus. 

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Aborto na voz de Drauzio Varella e Pepe Mujica

Segue dois vídeos sobre o aborto. Em um fala o médico brasileiro Drauzio Varella e no outro o ex-presidente uruguaio Pepe Mujica:




Recomendamos pular para 2m 55s:
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quarta-feira, 29 de julho de 2015

Antiproibicionismo - Rafael Valente

Fonte
            Quando chegamos a algum lugar para falar sobre drogas, seja em rodas de amigos, nas aulas da escola ou da faculdade, em palestras e seminários, geralmente as pessoas se posicionam a favor ou contra de forma superficial, como se fosse algo proibido de falar, e na verdade, as vezes parece ser isso mesmo, quando começamos a falar geralmente já chamamos a atenção das pessoas ao redor, se for entre nossa família então, principalmente com parentes mais velhos, mal se toca no assunto.
            Mas, na verdade, esse assunto não pode mais ser ignorado, antes até podia se esconder mais facilmente, mas hoje talvez por o consumo no Brasil ter aumentado, como apresenta o relatório do Escritório das Nações Unidas, assim como também por sua posição geográfica, o Brasil hoje é um das principais rotas do tráfico internacional, como aponta o mesmo relatório, como também as marchas da maconha, que após muito tempo sendo proibidas e repreendidas, hoje não dá mais para esconder esse tema.
            Assim como também na internet, existem “memes” que falam sobre drogas, páginas no Facebook, diversos canais do Youtube, grupos de Whatsapp, etc. Muito dos autores e das autoras que tem visões contraria a proibição das drogas se dizem ser antiproibicionista, mas o que significa ser antiproibicionista? E o porquê de serem contra a proibição das drogas, embora cotidianamente vemos na TV todos os malefícios que elas trazem pra sociedade?

segunda-feira, 13 de julho de 2015

"Brasil tem um linchamento por dia, não é nada excepcional" - Reportagem de EL PAÍS

MATÉRIA ORIGINAL

Por María Martín:

"A cena de mais um linchamento pinçou de novo estômagos e consciências em boa parte do Brasil. Nesta segunda-feira, Cleidenilson da Silva, de 29 anos, morreu de joelhos. Ele foi espancado até a morte por um grupo de moradores após um assalto frustrado a um bar no Jardim São Cristóvão, um bairro pobre de São Luís, no Maranhão. Um adolescente que ia com ele foi resgatado e preso pela polícia. Amarrado pelo pescoço e pelo abdômen com uma corda a um poste, o corpo desnudo de Cleidenilson foi exposto e fotografado frente a uma multidão curiosa, vizinhos dos que o mataram. Mãos e dedos impressos em sangue tingiram a cena, mas o episódio é mais um no Estado, mais um no Brasil. “Brasil tem um linchamento por dia, não é nada excepcional nesta rotina de violência, este caso não tem nada de diferente do resto, ao não ser essa imagem que choca”, explica o sociólogo José de Souza Martins, alguém que não se surpreende mais diante a brutalidade. 
Fonte
Souza Martins investiga há 20 anos os linchamentos no Brasil. O primeiro episódio do qual se tem registro aconteceu em 1585, em Salvador, quando um índio cristianizado que se achava Papa foi linchado até a morte por algo que, provavelmente, ofendeu os fiéis. O último (que conhecemos) foi Cleidenilson da Silva. 430 anos separam um do outro. A pesquisa de De Souza, baseada em 2.028 casos de linchamento, materializou-se no livro Linchamentos - A justiça popular no Brasil (Contexto, 2015). De Souza fala para EL PAÍS sobre o sentimento de que a melhor justiça é feita com as próprias mãos e que torna Brasil campeão da crueldade. "Nos últimos 60 anos, um milhão de brasileiros participaram de linchamentos", afirma no livro. Enquanto a entrevista telefônica acontecia, o diário maranhense O Estado trocava a manchete de seu site: “População tenta linchar assaltante em São Luís dois dias depois de barbárie que chocou o país”.
Pergunta. O que você pensou ao ver o novo linchamento acontecido no Maranhão?
Resposta. É mais um linchamento. Brasil tem uma media de um linchamento por dia, não é nada excepcional nesta rotina de violência, este caso não tem nada diferente do resto ao não ser a imagem, que choca outras pessoas. A atenção publica é atraída mais pelas imagens, que pelo fato de ter virado rotina.

domingo, 5 de julho de 2015

Jean Wyllys e Tico Santa Cruz falando sobre redução da maioridade penal

A ideia é colocar para dialogar e complementar a fala destas duas pessoas públicas. Atenção em especial para os trechos das falas onde são mencionados os sistemas da violência, as implicações e todo um contexto maior que existe por trás da pauta.



Jean Wyllys comenta a proposta de redução da maioridade penal
http://jeanwyllys.com.br/maioridadepenal/Embora, na percepção da violência, as pessoas tendam a achar que a participação de adolescentes pobres nos crimes contra a vida é grande - por causa do destaque que a imprensa dá a alguns episódios em que adolescentes aparecem como autores de crime contra a vida - as estatísticas dizem o contrário. A participação de adolescentes nos crimes contra a vida praticados no Brasil corresponde apenas a 0,13%. É uma participação muito pequena que não justifica a redução da maioridade penal. Em contrapartida, o Mapa da Violência mostra que a vítima preferencial, principalmente das forças repressoras do Estado, são, em especial, os adolescentes pobres e negros. Não é verdade que o adolescente infrator fica impune. Damos outro nome para punição: medida sócio-educativa. Se vocês visitarem uma dessas casas de "recolhimento" de adolescentes infratores, verão que não são diferentes das prisões. Você gostaria que uma lei fosse modificada e pusesse em modificação a formação do seu filho? Que seu filho fosse para uma "escola de crime" onde ele possa morrer durante uma rebelião? Ou gostaria que ele fosse recolhido em um espaço específico em que ele tenha uma educação para se reintegrar à sociedade?Precisamos ter empatia e nos colocar no lugar do outro. Devemos lutar por justiça, não por vingança! Eu #VotoContra171 porque #ReduçãoNãoÉASolução.
Posted by Jean Wyllys on Terça, 30 de junho de 2015




Estou defendendo bandido?
Posted by Tico Santa Cruz on Sexta, 22 de maio de 2015


Esperamos que as falas tenham contribuído de alguma forma para formar opinião, seja você apoiador ou contra a redução da maioridade penal.



sábado, 18 de abril de 2015

Envolvidos

O coletivo Nigéria fez esse curta bastante interessante onde aborda o extermínio da juventude no bairro Bom Jardim, que é conhecido em Fortaleza por ser violento, mesmo que boa parte da população conheça essa violência somente por meio da mídia e preconceito com a região. Contudo, a violência é presente, assim como eu outros pontos da cidade de Fortaleza e outras cidades do nosso país e o grupo faz o curta mostrando histórias reais que abordam em pontos que geralmente são deixados de lado na hora de falar sobre violência. Sem mais blá blá blá, assistam que garanto que não vão se arrepender:





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terça-feira, 7 de abril de 2015

Desculpa esse mundo, Eduardo. Desculpa esse mundo - Pablo Villaça

Retirada do G1
(Foto: Fábio Gonçalves/Agência O Dia/Estadão Conteúdo)
Eduardo tinha dez anos de idade.


Eduardo tinha pais, irmãos e amigos.

Eduardo gostava de correr, de brincar, de ver televisão, de rir de desenho animado e de comer bobagem antes do almoço.

Eduardo queria ser bombeiro quando crescesse.

Mas Eduardo não vai crescer. Ele começou o dia criança e terminou cadáver. Tinha sonhos e agora é carne machucada e sem vida. Seus verbos agora são no passado.

Eduardo de Jesus

Sonhou. Riu. Brincou. Viveu.

domingo, 22 de março de 2015

Papa diz que pena de morte é fracasso do Estado de Direito

Imagem: Pragmatismo Político
O papa Francisco afirmou nesta sexta-feira, 20, que "a pena de morte é o fracasso do Estado de Direito", em uma carta que entregou ao presidente da Comissão Internacional contra a Pena de Morte, durante audiência no Vaticano.

Francisco, que se reuniu com Federico Mayor Zaragoza e uma delegação da comissão, agradeceu no documento "o compromisso por um mundo livre da pena de morte e pela contribuição para o estabelecimento de uma moratória universal das execuções, tendo em vista a abolição da pena capital".

Na carta, o papa afirma que para o Estado de Direito "a pena de morte representa um fracasso, porque obriga a matar em nome da justiça" e porque "nunca haverá justiça com a morte de um ser humano".
Francisco lembrou que "a pena de morte perde toda a legitimidade devido à seletividade do sistema penal e perante a possibilidade do erro judicial".

domingo, 8 de março de 2015

Troque as rosas por igualdade - Gaby Bastos

Gaby Bastos
                8 de março de 1857. Data em que 130 mulheres foram trancadas e queimadas em uma fábrica em Nova York porque reivindicavam melhores condições de trabalho. Apenas em 1910, ficou decidido que esta data passaria a ser o “Dia Internacional da Mulher”, em homenagem às tecelãs que morreram na fábrica em 1857.
                E hoje parabenizo você, mulher, pelo nosso dia.
                Nós, tantas vezes tidas como o sexo frágil, tantas vezes oprimidas, subestimadas, agredidas, estereotipadas, vendidas como cerveja.
                Que tantas vezes ouvimos “fiu-fiu” ao sair de minissaia; “tinha que ser mulher” quando dirigimos; ou “lugar de mulher é na cozinha”.
                Que somos cobradas pela sociedade a casar, ter filhos e cuidar do lar; a não falar palavrão por “não ser de bom tom” e não usar roupa curta por “ser vulgar” ou “para não ser estuprada”; a ser vaidosas e ter o corpo “perfeito”.
                Que tantas vezes precisamos lutar pelos nossos direitos, por uma sociedade com igualdade de gênero e respeito mútuo.
                E tudo isso, apenas por sermos mulheres.
                Parabéns a você, independente de idade, cor, peso, altura, orientação sexual ou estado civil. A você que ao invés de flores, quer igualdade.


Graduanda em Economia Doméstica



quinta-feira, 5 de março de 2015

Encontrando com o vento - Alex Viana


                Ganhei minha primeira bicicleta na infância, por volta dos 8 anos. Na verdade, devo dizer ganhamos. Devido a nossa condição financeira à época era uma bicicleta para dividir entre os três irmãos. Nem por isso a satisfação de ter aquele objeto foi diminuída: nós, os irmãos, revezávamos o uso e, cada vez em que eu tive que esperar a minha vez de poder usá-la, aquele momento de ansiedade tornava o prazer de pedalar mais intenso. Demorei um pouco para ganhar o equilíbrio necessário para me manter de pé em cima da magrela, mas logo que aprendi passei a andar pelas ruas próximas de onde morava. Aquilo me dava prazer e eu me sentia livre. Tão livre que um dia me perdi e, sem saber como voltar para casa, pedalei seguindo o vento. Ia por onde o vento soprasse mais forte. E o vento me guiou de volta. Quando dei por mim estava na rua em que morava novamente.
                Fui crescendo e a bicicleta foi sendo deixada de lado, também por causa das condições físicas dela: já era muita velha quando a ganhei.

                Os anos passaram e sempre me voltava a vontade de pedalar novamente livre pela cidade. A falta de recursos e o medo do trânsito me diziam: hoje não, um dia. Quem sabe? Mas foi em um fim de tarde, quando eu saia de uma aula pela 13 de maio, na companhia de uma grande amiga à época, que eu vislumbrei a feição da felicidade. Em meio ao vai e vem dos carros (no começo dos anos 2000 o trânsito não era esse caos que é hoje), vimos, minha amiga e eu, uma moça, bela e sorridente, a pedalar pela avenida. Ela usava um longo vestido e o vento o fazia esvoaçar. Ela impulsionava os pedais da bicicleta e seguia, feliz, como se nada mais no mundo importasse. Seu sorriso estampado no rosto transmitia uma sensação de tamanha leveza que para mim foi como ver a felicidade plena. Naquele momento, talvez por incompreensão daquela felicidade, minha amiga se perguntou em voz alta: como alguém pode ser tão feliz apenas pedalando? Claro que devia existir toda uma conjuntura por trás da cena. Talvez ela apenas parecesse feliz. Mas a imagem que me ficou foi aquela. Foi assim que aquela moça, bela, desconhecida e feliz ficou registrada em minha memória.

                Ainda passou-se um tempo até que eu tivesse minha própria bicicleta novamente. Quando finalmente a vontade encontrou a coragem, aconteceu de um amigo estar se desfazendo da sua magrela e eu fui o escolhido a ganhá-la. Enfrentei algumas críticas e pedidos de precaução ao decidir pelar pela minha cidade novamente. Ouvi coisas do tipo: "você está no Brasil querendo usar um meio de transporte de primeiro mundo" e "vai se arriscar bastante nessas ruas perigosas de Fortaleza". Nada disso me impediu. Tudo que queria era a liberdade de pedalar como quando era criança. Em junho de 2014 me encontrei com o vento.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Um passeio pelo obsceno - Mario Sergio Cortella

Vivemos, todo ano, a ressaca pós-carnavalesca. Para muitos, chega ao fim o império da luxúria e da devassidão; para outros tantos, é o momento do reino da nostalgia e da sauda­de do futuro.

Alguns, já um pouco enfastiados com as li­bações etílicas, procuram recompor-se da sen­sualidade transbordada. Outros, avessos talvez à explosão das genitálias desnudas — ofertadas por milhares de ladies Godivas pós-modernas — regozijam-se com o término daquilo que en­tendem como o preâmbulo do apocalipse.

Carnaval, tempo de escândalos e prazeres? Entre seus despojos, ficam, ainda, as imagens do despudor público (o privado não) exibidas pelos jornais e pelas revistas e televisões. 

domingo, 15 de fevereiro de 2015

Refocilar é preciso - Mario Sergio Cortella

Fica malicioso perguntar a alguém se já está preparado para refocilar tranqüilamente nos feriados ou, melhor ainda, indagar a priori "refocilaste bem?"


Fevereiro é sempre um mês que carrega em si a agradável idéia de menos trabalho (para quem já o tem), seja por ser um mês mais curto (mesmo nos anos bissextos), seja pela constância com a qual o Carnaval nele desponta. É mês também um pouco indefinido, inclusive quanto à origem do nome "februarius" -talvez vindo do latim "februare" (purificar)- e acabou se tornando para nós uma época raramente recomendável para iniciar projetos e atividades, exceto no insistente e fragmentado calendário escolar.
Fevereiro parece um intervalo temporal menos sério e austero, quase deixando levemente suspensa a gravidade de nós requerida para o restante dos meses. Nele, o nosso desvelo dá-se o direito de relaxar um pouco e dissolve em parte o apego aos cronogramas implacáveis ("Depois de fevereiro, a gente vê como faz").

No entanto, apesar da fingida vacuidade, fevereiro lembra para muitos um período de agradável refocilamento. Refocilamento? Será que Assis Valente sabia disso ao escrever "Brasil, esquentai vossos pandeiros, iluminai os terreiros, que nós queremos sambar?". Nosso idioma guarda delícias surpreendentes e uma delas é que essa estranha palavra, "refocilamento", significa recuperação das energias perdidas. De onde vem tal entendimento? Em latim, o vocábulo "focus" (fogo) ganhou o diminutivo "focilus" (foguinho), não na acepção ébria, tão inconveniente durante esses festejos, mas indicando o esquentar, aquecer e, por extensão, reanimar.

Refocilar é, portanto, reaquecer e revigorar! Uma pitada de erudição? É só lembrar que Camões usa o verbo no Canto 9º de "Os Lusíadas", dizendo "Algum repouso, enfim, com que pudesse / refocilar a lassa humanidade". Fica malicioso perguntar a alguém se já está preparado para refocilar tranqüilamente nos feriados ou, melhor ainda, indagar a posteriori, na volta ao trabalho: "Refocilaste bem?".

Para muita gente, refocilar implica antes de tudo ser capaz de passar os dias de folga "morgando". "Morgar", essa gíria brasileira que quer dizer, entre outras coisas, dormir, nada fazer, deve ter a sua fonte indireta em "morgue" (necrotério, como descanso) ou até em morgado (bens e privilégios herdados que permitiam não trabalhar mais). De qualquer forma, "morgar" sugere o remanso, o sossego, a habilidade lentamente desejada e desenvolvida para imobilizar as atribulações do cotidiano e evitar perturbações momentâneas.

Refocilar é restaurar e reforçar. É recompor potências, recuperar forças, retomar a animação, isto é, a vitalidade. Note-se que, em todos os desdobramentos e identidades desse verbo, aparece o prefixo "re", que indica repetição ou reforço de sentido, de forma a trazer de volta aquilo que talvez tenha se ausentado. Mas logo agora, que o ano apenas começou? Não parece prematuro? Refocilar, todavia, é também desenfadar e desenfastiar, e aí o prefixo "des" é negativo, de modo a tornar nulo o enfado e o fastio. Qual enfado ou fastio? Aquele que os aborrecimentos, as importunações e os desprazeres miúdos provocam sorrateiros no nosso viver e que exigem, sim, uma carga refocilante.
Reavivar a chama, dar à vida um tempo de recreio, de recreação ("recreare", criar de novo), dando a esse recrear a perspectiva de diversão e júbilo. Não é à toa que as nossas memórias se fartam vez ou outra na recordação de grandes recreios vividos com transbordante alegria na aparentemente longínqua infância.


Falamos muito -e isso é importante para afastar a síndrome do ocupacionismo desenfreado- em valorizar o "ócio criativo", porém é preciso ter cautela nessa empreitada, pois corre-se o risco de querer tornar continuamente produtivo (na acepção utilitarista do termo) aquele tempo livre que tanto reivindicamos. O refocilar deve somar-se ao "morgar" e isso tudo tem de trazer à tona a possibilidade de viver um fundamental "ócio recreativo".

Mario Sergio Cortella

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Complexidade e turbulência - Fritjof Capra

Capra
O processo de globalização econômica foi elaborada intencionalmente pelos grandes países capitalistas (o chamado “G-7”), as principais empresas multinacionais e as instituições financeiras globais – entre as quais destacam-se o Banco Mundial, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e a Organização Mundial do Comércio (OMC) – criadas expressamente para esse fim.

                Entretanto, o processo não tem sido um mar de rosas. Quando as redes financeiras globais alcançaram um certo grau de complexidade, suas interconexões não-lineares geraram anéis de realimentação rápida que deram origem a muitos fenômenos emergentes inesperados. A nova economia que resultou disso é tão complexa e turbulenta que não pode ser analisada pelas teorias econômicas convencionais. É por isso que Anthony Giddens, atual diretor da prestigiosa Faculdade de Economia de Londres, admite: “O novo capitalismo, que é uma das forças motrizes da globalização, é, até certo ponto, um mistério. Até agora, não sabemos exatamente como ele funciona.”
                No cassino global operado por máquinas eletrônicas, os fluxos financeiros não seguem uma lógica de mercado. Os mercados são continuamente manipulados e transformados por estratégias de investimento criadas em computador, pelas percepções subjetivas de analistas influentes, por acontecimentos políticos em qualquer parte do mundo e – o que é mais significativo – por turbulências inesperadas causadas pelas interações complexas dos fluxos de capital nesse sistema altamente não-linear.  Essas turbulências, que dificilmente podem ser controladas, são fatores tão importantes da fixação de preços e tendências de mercado quanto as tradicionais forças de oferta e procura.